9 de junho de 2014

Este final de Outono não tem sido dos mais fáceis. Aqui da terra da garoa, nossa velha amiga imprevisibilidade, que parecia sorrateiramente aquietada, resolveu dar as caras nesses derradeiros dias de maio, início de junho.

O Outono começou quente, um alargado pós-verão propício aos passeios ao ar livre. Daqueles sábados em que paulistanos e forasteiros se unem em havaianaços nas filas de espera dos bares e restaurantes descolex.

Tivemos um doce namoro com o lado mais calorento e divertido do guarda-roupa. Minissaias, shorts, sandálias, regatinhas. Vários looks de quando a gente faz de conta que Ubatuba é na esquina de casa.

Você ligava o rádio na CBN, escutava a previsão do tempo, e ontem é hoje, e o hoje vira ontem amanhã. Ah! Uma lufada de felicidade rara na sampa city das viradas bruscas, das 4 estações em um dia só.

Até que… tudo mudou. E você não estava preparada (e quando é que se está?). Saiu descasacada, sem proteção. Sobe David Bowie: Ch-ch-ch-ch-Changes.

Então o sapatinho que você usou zentas vezes vai para o fundo do armário. Tudo fica mais lindo com uma bota, você se ilude. Bate uma deprêzinha. Estava bom demais. Céu claro, plano de voo sem turbulência. Sonhava você.

Aberta a temporada de recordes friorentos do ano – “Vamos chegar a nove graus esta madrugada”, ameaça a moça do tempo -, tira-se a poeira dos casacõe modelito neve-sem-neve, gorros, lenços e echarpes para driblar o sombreado desses dias de Londres em SP.

Uma das coisas que mais gosto nesse clima pré-inverno infernal é brincar com as cores da meia-calça. Tenho uma paleta bem variada – laranja, vermelho, azul, lilás, verde!

É como se, mesmo no meio das violentas transformações do tempo, quando tudo parece cinzento, teu eixo, as pernas que te levam a seguir na caminhada, estivesse pintado de alegria.

Afinal, não sabemos do futuro, mas é certeza de que, logo ali, vem o verão. Pode ser que quando ele chegar você nem ligue mais para aquelas minissaias, aqueles shorts, aquelas regatinhas. Tudo mudou, você, seu guarda-roupa, seus desejos, suas expectativas, suas rotas.

Mas a esperança é sempre de dias melhores e mais quentes. E neste pré-inverno, pra mim, ela vem em forma de uma meia-calça colorida.

Laranja é a minha cor da vez. E a sua?