3 de setembro de 2014

 

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E aí você está sozinha em Londres porque é moderna e independente. Encara festival, jantar, balada. “All by yourself”. Maior barato.

Já absorveu o tênis e o sapatinho baixo no dia a dia, jeans, camiseta e um batonzinho. “Ui, estou até me sentindo… local.”

Até que você esbarra nesses dois no metrô.

Esse é o casal mais lindo que vi desde que cheguei para uma temporada londrina de quatro meses.

E olha que não falta exuberância hipster na moda a dois por aqui.

Confesso uma certa timidez na hora de clicar… E às vezes as cenas te deixam meio sem fôlego. Seja por você estar perambulando só ou simplesmente a tal cena tocar alguma lembrança que você faz questão de esquecer.

Pum, passou o momento. Necas de foto.

O tal do sozinha, independente, blá blá blá, não é mole. Especialmente quando se está na Londres lotada de gente linda. Não que isso não aconteça em outros países, mas você se sente meio dentro de um filme que já viu 300 vezes na vida por conta de referências.

Ao mesmo tempo, é tudo muito maior. Mais louco. Mais fashion. Mais incrível.

E mais solitário também. Você conhece milhões de pessoas em um par de minutos. Atenção para o verbo “conhecer”. Você conhece, cria um certo laço, convive, e de repente vento ventania … e cada um caça o Sul ou o Norte.

Mal de metrópole. São Paulo não difere muito disso.

Então você coloca o fone no ouvido e pega o metrô para algum lugar. O metrô, esse lugar tão democrático.

Esse casal. Descolex – ela de jeans, tatuagens nuas, topete impecável (uau!), camisetinha florida branca (super glamourosa, vale notar), bolsa laranja… Ele de camisa de mangas longas branca, calça jeans com corte perfeito, mocassim.

O que conversam? Onde vão? O que fazem da vida? O que pensam? Quanto tempo demoraram para se arrumar?

Por que não pegaram um táxi? Essa não precisa de resposta. O transporte público é bom para todos. De verdade.

Dá vontade de atropelar os dois com uma batelada de perguntas.

E uma certa invejinha na ponta da língua… Porque, desculpaí, ninguém é de ferro.

Aqui estão algumas historinhas e cenas que capturei nesses momentos fone de ouvido por Londres..

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Verão “british” a pino – 28 graus, uhu!. Feirinha gourmet no “high hipster” de Sloane Square, ostras (chique!), sanduíche de pato (phino!). Tudo a preço de banana – ergh, para padrões que não nos pertencem.

A Saatchi Gallery logo ao lado convida para um “quilinho” depois entre obras feitas para o deleite dos Instamaniacs.

“Life is good”, você posta.

A “life” deve ser é prá lá de “good” para o casal que passa “combinandinho”. Ela, “divando” em um vestido todo florido em preto e amarelo. Detalhe para a tiara de penas. Bolsinha e sapatos pretos. Não é por acaso que o moço no cantinho da foto perdeu um pouco de saliva.

Então, vemos Ele, o homem Dela. Terno amarelo quadriculado, chapéu, sapato de couro. Não está ali de figurante. À altura. Máquina na mão. Registros da dama.

Um deleite vê-los passar.

“Life is really good”, você pensa. A deles e a sua. Sorri.

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Hyde Park. British Summer Festival. Noite do suposto (nunca se sabe) último show do Black Sabbath.

Coisa mais linda de se ver o distinto casal entre as centenas de tatuados.

Ele de chapéu, cabeleira longa e bem cuidada (sim, eles ainda existem), sem camisa porque é verão e ele pode tudo, bermuda jeans, tênis.

Ela também vai no short curtérrimo jeans, uma camisa marrom já que decidiu não bater peitinho, bolsa de pano, botinha.

Repare nas mãos carinhosas pousadas no ombro e na cintura.

Doçura e grrrr.

Amor em preto e cor de pele.

Bonito demais.

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Então você abre a canga (porque é prevenida) e deita na grama. As nuvens carregadas apostam corrida e você se pergunta se vai imitar a cena clássica de banho de lama.

Afinal, cadê o mocinho da capa de chuva a R$ 5? Ele não estava lá. Nem o ambulante da breja na porta. E como você não sabia que todo mundo compra suas latinhas no supermercado antes?

O corre-corre no céu diminuiu o ritmo. Será que é agora? Não importa. Você queria mesmo é uma flor igualzinha à dela.

 Flower power nunca sai de moda por aqui.

Imagens: Daniela Paiva.